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quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Quando deu "o estalo" para buscar a famigerada independência financeira? [Pt 3 - Conclusão]

 Concluindo, o estalo para a independência financeira foi quando eu percebi que não adiantava mudar nem pra onde eu fosse, pois o mundo do trabalho é insalubre e antissocial, e foi ratificado quando eu me dei uma segunda chance e mudei novamente de emprego. Ironicamente, me fz percebe que onde eu estava antes era até bom se comparasse com o atual.

E o projeto se tornou real quando a previdência foi desmontada. Aposentar-se aos 65 anos com 68,5%+ da média dos salários, sendo que o salário está congelado, e a inflação vem comendo o poder de compra. Se eu quiser 100% da média salarial, teria que trabalhar mais 1 ano para aumentar 2,5%, porém o teto de trabalho são 70 anos, ou seja, eu só conseguiria 78,5% da média salarial.

(As regras são confusas, e já tem uma nova proposta correndo o congresso para alterar novamente as regras)

Então, tem duas metas, a primeira é o FIRE mesmo, independência financeira o mais rápido possível, espero que daqui a 6 ou 8 anos. Se essa não der certo por desventuras da vida, a outra meta é uma renda extra previdenciária para quando eu me aposentar aos 65 e não precisar trabalhar até os 70.

Pensando que em 6 ou 8 anos eu teria uma renda FIRE que daria o poder de compra do que hoje são R$2500 a R$3600, dependendo do que acontecer, estaria suficiente e a partir daí eu trabalharia mais uns meses para juntar dinheiro e abrir um negócio com meus projetos engavetados pela chefia, ou trabalhar intermitente para viajar, ser blogueiro de viagens, enfim, os hobbies.

Neste ano, eu conheci o termo FIRE e pesquisando descobri que tem uma comunidade e uma blogosfera ao redor disso, daí fui "me enturmando" e cheguei até aqui.

Esse é o meu depoimento de como cheguei até aqui, talvez vocês tenham se identificado ou não, fiquem à vontade para comentar e contar sobre a experiência de vocês.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Quando deu "o estalo" para buscar a famigerada independência financeira? [Pt 2]

 Continuando...

Depois eu consegui voltar para a minha cidade natal, e novamente estava empolgado, emprego novo numa instituição infinitamente maior do que a que trabalhava, com mais possibilidades de projetos, mais setores e mais espaçados, logo menos fofoca e intrigas.

Pois é, não. Pelo contrário, mais sugado. Os projetos não eram aceitos também, estava constantemente em desvio de função. Então eu estava ali continuando com meus aportes mensais, já desanimado que nunca iria atingir milhão nenhum nem nada. E então um amigo viciado em mercado financeiro ficava falando sobre essas coisas o tempo inteiro, e eu achava ele muito doido. Mas a reforma da previdência tinha destruído a aposentadoria como a gente conhece e isso me deu o estalo de que eu precisava fazer alguma coisa. Aí comecei a dar ouvido ao "doido", mas sondando pra tentar entender.

Nisso aí, um amigo de confiança começou a trabalhar num setor de previdência de uma prefeitura, e eu perguntava a ele sobre isso.

Ele me passou alguns materiais para estudar, e me ajudou a entender o que era joio e trigo nisso tudo. E depois disso ele saiu dessa prefeitura e não quis mexer mais com isso. Mas me deixou um aprendizado. Aí eu comecei a entender o amigo "doido". Na verdade, ele não era doido, ele só não era didático.

Bom, aí a coisa mudou de figura, o que era um sonho distante passou a ser um projeto realista. No início, lamentei os 7 anos que fiquei enfiado na poupança e poderia estar anos-luz à frente; porém a poupança na época era a minha melhor escolha dentre o que eu conhecia.

Após entender isso, parei de lamentar mas fiquei afobado, tirei logo 90% da poupança, deixei 10% só pra garantir (depois fiquei sabendo que fiz certo, isso se chama "reserva financeira"). Do que eu tirei, botei 60% direto na bolsa, 20% em TD IPCA+, 12% em fundos de ações e 8% em debênture.

Então a carteira ficou assim (arredondamento):

11% RE

55% RV

23% RF

11% FIA

Logicamente, isso foi um péssimo movimento, mas era 2019 e estávamos num bull market próspero até a pandemia, então não senti tanto.

Depois fiz algumas mudanças como resgatar o fundo e ir para o exterior, mas falo sobre isso depois.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Quando deu "o estalo" para buscar a famigerada independência financeira? [Pt 1]

A gente fala de independência financeira hoje como se fosse algo que já pensávamos desde sempre, né? Mas se você fizer uma retrospectiva nas suas ideias, nos seus pensamentos, vai ver que não é assim.


Toda criança sonha com alguma profissão, quando mais novo são profissões idealizadas como astronauta, ator, atleta, cowboy como nos filmes ou um grande explorador; na adolescência começa a pensar em profissões que tem aventura como piloto de avião, paraquedista, mergulhador; e já na juventude quando tem que escolher de fato no enem ou processo seletivo, começa a pensar em carreiras mais possíveis e rentáveis como técnico ou bacharel em engenharia, medicina, direito, docência, etc.

Durante o curso profissionalizante ou a graduação, sonha com a formatura, com o cotidiano profissional, as realizações, qual segmento da carreira, advogado civil, tributarista, penal?

Então é uma vida toda convergindo para isso, tudo bem que tem uma sociedade inteira nos cobrando com a pergunta "o que você quer ser quando crescer?", mas é a nossa cultura e a gente se desenvolve a partir da cultura. Só que a gente vive pensando nisso, porém chega uma hora que a gente não quer mais saber disso.

Parece que a nossa "barrinha da paciência", a gente já tentou de tudo, trocar de emprego, de segmento, de cidade e até de profissão, mas não adianta, aquele cotidiano do trabalho, com cobranças sem sentido, rivalidades, panelinhas, fofoca, tudo isso se somando às pressões da chefia, vai nos deixando desanimados, irritados; por vezes, adoecemos mesmo: burnout, ansiedade, estresse, depressão.

Quando eu mudei pra um "emprego dos sonbos", numa "cidade dos sonhos" e continuei com todos os incômodos foi que me deu o estalo. Na época, eu nem sabia que existia o termo FIRE, nem um movimento de pessoas que desejavam isso.

Muitas ideias, muitos projetos, mas que não conseguia botar nenhum em prática, nada era aprovado, me sentia sabotado e isolado do contexto da instituição.

Eu cheguei juntando dinheiro para dar entrada na minha casa própria porque afinal eu estava animado, queria minha casa e iria morar ali e trabalhar no mesmo lugar até me aposentar. Com um tempo eu comecei a jogar na loteria com muita frequência porque eu já não aguentava mais e sabia que se eu conseguisse pelo menos o prêmio base de 600 mil na quina e deixasse na poupança (na época eu não conhecia nada de investimento), depois de um tempo eu estaria "aposentado" e me livraria de ter que ir para aquele ambiente insalubre e tóxico.

 
Seguindo a probabilidade, eu não acertei, e quando eu verifiquei meu saldo da poupança para a entrada, vi que já tinha uma quantia considerável. Comecei a usar a calculadora do milhão para descobrir em quanto tempo eu estaria livre. O resultado foi desanimador, precisaria de mais 18 anos. Mas o tempo iria passar de qualquer forma e eu aceitei que demora mesmo. Comecei a perceber que era melhor então eu continuar alugando porque o aluguel era a metade da prestação de um muquifo e eu morava na beira da praia com lazer completo.

Para não ficar muito longo, eu resolvi dividir em dois.

Retorno e Repensar

  Salve, colegas da jornada FIRE. Quando pensei este nome, estava em um momento da vida de estresse. Além da dificuldade que estava na vida ...